Poema de Emily Dickinson
“Alguns guardam o Domingo indo à Igreja
Eu o guardo ficando em casa
Tendo um Sabiá como cantor
E um Pomar por Santuário.
Alguns guardam o Domingo em vestes brancas
Mas eu só uso minhas Asas
E ao invés do repicar dos sinos na Igreja
Nosso pássaro canta na palmeira.
É Deus que está pregando, pregador admirável
E o seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao Céu, só no final
Eu o encontro o tempo todo no quintal.“
(Emily Dickinson, 1830-1886)
leve toda essa solidão.
Eu espero que ele leve de volta tudo
o que me faz mal, o que me faz sofrer.
Que façamos uma troca, eu lhe dou a tristeza
e ele me dá a alegria.
Eu quero devolver toda essa angustia
que não deixa o meu peito em paz e que
me faz chorar em uma tentativa desesperada
de lavar a minha alma, o meu coração e amenizar
esse sentimento de tristeza que me deixa assim.
Enfim, eu espero que o amanhã venha e me devolva
o ontem, porque ontem, ahh ontem sim eu era feliz e não dei valor!

O Jazz está de luto com a morte de Amy Winehouse. Eu sempre fui uma garnde fã de sua música, sua voz, seu talento, e me comovi demais com o seu sofrimento causado pelas drogas. Não direi que ela foi um grande exemplo, aliás, ela foi um exemplo de tudo o que não se deve ser, de não se deixar levar e de muito menos experimentar drogas. Mas sinto pena por saber que uma pessoa tão bonita, tão jovem morreu dessa maneira absurda, mas fico feliz por saber que o seu nome continuará, ficará marcado na história da música, pois essa jovem tinha uma voz angelical, quando ela cantava parece que o mundo parava e admirava essa voz tão bela com que ela foi presenteada, mas infelizmente não soube aproveitar ao máximo, ou talvez a maneira dela tenha aproveitado. Fica aqui os meus mais sinceros pêsames ao mundo da música por ter perdido essa diva musical que foi Amy Winehouse, que a sua música nunca seja esquecida.
Back To Black - Amy Winehouse
Eu ando por caminhos desconhecidos e não faço a minima idéia para onde ir
ão me levar, pois somente em um único lugar eu consigo me encontrar, chamar de lar: um trilha de palavras. Somente lá eu posso dizer que estou em casa. No mundo dos livros eu sei quem é "bom" ou "mal"; quem mente e quem fala a verdade; eu sei todos os segredos e o meu mundo não é cercado de mentiras. Nesse mundo eu já ri e chorei ao lado de meus amigos, conheci o mundo inteiro através deles. Presenciei o sofrimento de uma garota judia (O diário de Anne Frank), fui testemunda do romance de Alex e Rose (Onde terminam os Arco Iris), tive um cãozinho chamado Marley (Marley e eu), conheci Tom Sawyer, um garoto que apesar de ser uma criança problema, era um bom amigo (As aventuras de Tom Sawyer) e assim conheci um pouco de cada coisa e muito de cada um. Foram eles que me fizeram viajar em cada página, cada palavra... Eles me mostraram que você pode conhecer o mundo todo e ao mesmo tempo não conhecer nada. Em cada página virada eles me ensinaram alguma coisa e foi com eles que eu aprendi que a vida pode ser vivida, contada ou escrita, você que escolhe o que fazer da sua. Eu só tenho o que agradecer a esses amigos que são os melhores que eu poderia ter, porque sem eles eu não seria o que sou, pois eu sou feita de palavras.
Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
Florbela EspancaSem remédio
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Eu ... Eu sou a que no mundo anda perdida, Eu sou a que na vida não tem norte, Sou a irmã do Sonho,e desta sorte Sou a crucificada ... a dolorida ... Sombra de névoa tênue e esvaecida, E que o destino amargo, triste e forte, Impele brutalmente para a morte! Alma de luto sempre incompreendida!... Sou aquela que passa e ninguém vê... Sou a que chamam triste sem o ser... Sou a que chora sem saber porquê... Sou talvez a visão que Alguém sonhou, Alguém que veio ao mundo pra me ver, E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade




